
O Golden Temple é um local de devoção incondicional para a comunidade sikh. Descalços, as cabeças cobertas, entramos num mundo que não nos pertence e que, ao mesmo tempo, nos é tão íntimo. Longa fila para entrar na enorme escultura de ouro (entenda-se enorme para escultura, pequena para edifício), que se ergue no meio do espelho de água formado pelo lago em cujas águas alguns se banham com as facas desembainhadas e presas nos turbantes. Juntamo-nos à dita fila e com paciência avançamos até ser chegada a nossa vez e cumprirmos o ritual – mão no chão e depois no peito, reverência e respeito. Circulamos pelo interior ao som dos cânticos, das tablas e do harmónio. Sentamo-nos para meditar, para contribuir de alguma forma com a nossa energia para aquela energia maior, a da devoção, da entrega absoluta sem pôr em causa e de coração aberto. O templo foi construído com quatro portas, simbolizando a sua abertura a todas as religiões e a todos os que queiram entrar para meditar ou, simplesmente, ouvir as orações e sentir alguma paz.


Turbantes de todas as cores entram e saem, é um ciclo constante de devotos que dia e noite, descalços, dão vida ao fluxo energético que mantém vivo o monumento do século XVII, considerado o mais sagrado dos lugares de culto desta religião uma vez que o seu eterno Guru, Sri Guru Granth Sahib está ali presente. Esta é a mais sagrada das escrituras Sikhs eternizada pelo décimo e derradeiro Guru - Sri Guru Gobind Singh que terminou a linhagem de Gurus humanos, elevando o texto sagrado Adi Granth a Guru Granth Sahib. As suas 1430 páginas contêm bhajans que descrevem Deus e o comportamento correcto a seguir por todos os Sikhs e até hoje permanece como a “personificação” dos 10 Gurus do sikhismo.